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GEO-4 adverte: a humanidade está em risco

de FLV | Segunda, 17 de Dezembro de 2007

O dia 25 de outubro de 2007 é uma data crucial na história da tomada de consciência em relação ao abismo em que nos precipitamos a uma vertiginosa velocidade: pela primeira vez um organismo da ONU – o UNEP (United Nations Environmental Programme) – divulga um relatório, assinado por 390 experts em meio ambiente e revisto por outros 1000 em todo o mundo, no qual se adverte explicitamente que o colapso do meio ambiente põe “a humanidade em risco”. A advertência é repetida uma segunda vez no mesmo documento quando se afirma que os problemas ambientais “may threaten humanity’s survival” (podem ameaçar a sobrevivência da humanidade).

Nunca se leu nada semelhante a respeito da questão ambiental. Desde a fabricação das primeiras bombas atômicas soviéticas, em inícios dos anos 1950, até o dia 24 de outubro de 2007, a única ameaça admitida à sobrevivência da humanidade era uma guerra nuclear, ameaça que serviu por decênios de alavanca para a guerra fria. Bush tenta agora reavivar seu fantasma, ao declarar que o Irã levará o mundo a uma III Guerra Mundial. A declaração obteve obviamente muito mais ressonância na imprensa que o relatório do UNEP. Após o desastre iraquiano, parece razoável a esperança de que o belicismo de Bush não seja capaz de mobilizar de novo a opinião pública e a máquina de guerra norte-americana. Já a máquina de destruição do planeta, esta continua perfeitamente mobilizada, queira ou não a Casa Branca; queiramos ou não nós próprios. Os “ecologistas céticos” fariam bem em dar uma olhada no documento a que me refiro. (vejam o atalho abaixo para o press release do UNEP, cujo título é Planet’s Tougher Problems Persist, UN Report Warns - Os problemas mais árduos do planeta persistem, adverte o relatório da ONU).

O documento em questão nasce da recente reunião do GEO-4 (Global Environment Outlook: environment for development), realizada em Nairobi, 20 anos após o documento intitulado Our common future (Nosso futuro comum), produzido pela então chamada Comissão Brundtland da ONU (1987). Sua conclusão é que “não existe nenhuma questão relevante levantada pelo documento Our Common future em relação à qual existam tendências previsíveis favoráveis” (”There are no major issues raised in Our Common Future for which the foreseeable trends are favourable”). Nenhum progresso, em outras palavras, foi feito. Ao contrário, todos os problemas levantados em 1987 agravaram-se, em especial o aquecimento global, a taxa de extinção das espécies, o estado da atmosfera, o colapso irreversível das espécies marinhas, o crescimento das “zonas mortas” (sem oxigênio) nos oceanos, o recrudescimento de velhas e novas doenças devidas à degradação ambiental, a desertificação, a escassez dos recursos hídricos, etc.. Aumenta, sobretudo, a “pegada humana” na natureza, isto é, o consumo dos recursos naturais pela população em contínuo crescimento: “a população humana é agora de tal modo grande, que o montante de recursos necessários para mantê-la excede o disponível. A pegada humana (humanity’s footprint), o que o homem demanda de seu ambiente, é de 21.9 hectares por pessoa, enquanto a capacidade biológica da Terra é, em média, de apenas 15.7 ha/pessoa”.

O Brasil, como sempre, dá o exemplo em matéria de catástrofe ambiental: os jornais acabam de noticiar que o ritmo de destruição da floresta amazônica retomou a curva ascendente. E o peso político do Ministério do Meio Ambiente, bem como seus recursos orçamentários, continuam irrisórios. No que o governo Lula não está só, pois o UNEP continua, em meio ao naufrágio geral de nosso habitat, “fraco e sem recursos” (under-resourced and weak), conforme afirma seu presidente.

Link do documento clique aqui.

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