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SENADO
de FLV | Domingo, 23 de Setembro de 2007
Assunto: O SENADO MAIS DESMORALIZADO DA REPÚBLICA
Data: Sat, 22 Sep 2007 03:15:08 -0300
O País, preocupado e impressionado com o desgate do Senado. Mais de 80 por cento de minha correspondência são sobre o desprestígio do Senado. Na rua, nas minhas incansáveis caminhadas (que substituem as saudosas corridas de antigamente), me param e a pergunta é inquestionável, embora eu seja questionado: “O Senado não deveria ser fechado”? “O regime não deveria ser unicameral?”. E por aí vão.
Nenhum dos 81 senadores tem a menor dúvida sobre o “desaparecimento” do Senado. Não é desgaste, desprestígio, desmoralização, toda e qualquer palavra não consegue superar essa, mostrando que o Senado DESAPARECEU.
Foi culpa de alguém, de uns, de outros, de erros, de equívocos, de desacertos, de desinteresse com os problemas do cidadão-contribuinte-eleitor? É possível fazer alguma coisa?
Sempre é possível solução, para o bem ou para o mal, mas a derrocada (ou a destruição) foi longe demais. Quando os próprios senadores da tribuna da casa criticam o Senado, e dizem: “Sei que ninguém está me vendo ou ouvindo, a TV Senado não é mais ligada”, não sei como não percebem a gravidade da situação.
(Isso foi dito textualmente pelo senador Jefferson Peres, mas muitos outros pensam, admitem e falam a mesma coisa).
Desde 1889, quando “implantaram” (em vez de promulgaram) a República, o regime foi salvo porque o presidente do Senado era Prudente de Moraes. Rui Barbosa e Rodrigues Alves lançaram sua candidatura a presidente (indireto) contra o Marechal Deodoro. Com grande visão, caráter e credibilidade, Prudente não aceitou a indicação, dizendo: “A República não agüenta a minha candidatura”. Era verdade.
Ele mesmo em 1894 consolidaria a República, em 1930 tudo foi fechado. Nas ditaduras não existe Congresso aberto, a não ser que os ditadores de plantão precisem disso. Em 1937, Vargas voltou a fechar tudo, aberto não interessava mais.
Na ditadura de 1964, Câmara e Senado ficaram mais ou menos abertos, mais ou menos fechados. Em 1967, “promulgaram uma Constituição”, que foi empurrada em cima do País. Valia alguma coisa? Valia aquilo que valesse a força dos que mandavam.
Em 1974, o MDB elegeu 16 senadores nos 22 estados. Era mais do que previsível que em 1978, com duas vagas, o MDB elegeria 32 senadores, dominaria o Congresso. Como existia “brecha eleitoral”, mas não havia a força militar correspondente, o general Geisel tomou providências. Criou o senador biônico, indireto, garantiu na pior das hipóteses a eleição de 22 senadores. Na ditadura é só pensar (?) e executar.
Não há nada de novo no mundo. No Brasil, mesmo nos chamados “regimes democráticos” (como agora), a opinião pública, ou seja, o cidadão-contribuinte-eleitor, não vale nada. Na belíssima Constituição dos EUA (a única que eles têm há 219 anos), os Fundadores com a grande preocupação: evitar os golpes para chegar ao Poder ou tirar alguém do Poder.
Só que passaram a ASSASSINAR os presidentes. Lincoln, MacKinley, Kennedy. Depois, começaram a ASSASSINAR os que tinham condições de chegar ao Poder. Robert Kennedy, Martin Luther King, até Jimmy Hoffa, presidente do Sindicato dos Caminhoneiros, o maior do mundo. Seu corpo jamais foi encontrado.
PS - É preciso fazer alguma coisa, com urgência. E isso só pode ser através de AUTÊNTICA E VERDADEIRA REFORMA POLÍTICA. Dando poderes corretos à coletividade e deixando que a REPRESENTATIVIDADE seja rigorosamente REPRESENTATIVA.
* Colaboração Poetinha Silas.
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