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Quanta incopetência não ??

de FLV | Sábado, 18 de Novembro de 2006

Na segunda-feira 13, quando os principais aeroportos brasileiros estavam repletos de passageiros sem previsões seguras sobre o início de seus vôos, Pires cometeu uma das declarações mais desastradas do ano. “Não houve nada. Quantas vezes temos atrasos de duas ou três horas?”, replicou ele diante de repórteres atônitos, que procuravam explicações sérias para o fato de, oficialmente, 42,3% das 1.487 decolagens programadas para aquele dia registrarem um atraso médio superior a quatro horas.

Retrato do drama: os atrasos que congestionaram os grandes aeroportos tendem a se repetir no Natal, Ano-Novo e férias de verão
Naquela mesma tarde, porém, durante o trajeto com partida no Rio de Janeiro e destino em Brasília, o jatinho Lear Jet da FAB que transportava o ministro envolveu-se no que, em linguagem aeronáutica, pode se interpretar como um “quase acidente”. No instante em que o aparelho estava a 180 quilômetros da capital federal, os controladores no Cindacta-1 perceberam que a aeronave entrara na mesma rota de um Airbus da TAM que acabara de decolar rumo a São Paulo. O jatinho com o ministro a bordo estava sendo monitorado pelos militares que cuidam da defesa aérea, responsáveis por vôos militares. Já o avião da TAM voava sob os olhares dos controladores que operam a aviação civil, os vôos de carreira. Essas duas equipes usam monitores e ocupam salas diferentes na torre de controle do aeroporto de Brasília. Ao perceberem a possibilidade de choque, os controladores dos vôos de carreira orientaram o piloto do avião da TAM a fazer o que no jargão técnico se conhece como manobra evasiva. Significa mudar inesperadamente de rota, o que foi feito. O episódio gerou um relatório reservado encaminhado de imediato aos superiores dos controladores de plantão naquela tarde. Waldir Pires, que ao desembarcar em Brasília afirmou que “não houve nada”, só soube do incidente horas depois.

Esse episódio não foi o único a demonstrar que as coisas não andam bem nas torres de controle do País. Dias antes da colisão entre o jatinho Legacy e o Boeing da Gol, no dia 29 de setembro, um grande susto tomou conta da sala de controle aéreo em São Paulo.

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