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EVIL - Islamismo

de FLV | Domingo, 17 de Setembro de 2006

“Ah, sim, os horrendos massacres de civis causados pelos chamados terroristas suicidas… Horrendos, sim, sem dúvida; condenáveis, sim, sem dúvida, mas Israel ainda tem muito a aprender se não é capaz de compreender as razões que podem levar um ser humano a se transformar numa bomba.”

A sociedade palestina canalizou uma boa dose de pensamento e energia na solenização do assassínio em massa por atentado suicida, um processo que começa no jardim de infância. Naturalmente, pode-se relutar em questionar a serena piedade da mãe palestina que, tendo criado o assassino em massa e suicida, expressou o desejo de que seu irmão mais novo também se tornasse um assassino em massa e suicida. Mas chegou a hora de parar de respeitar a qualidade de sua “ira” - parar de se maravilhar com o desvairado rigor da opressão israelense, e começar a se espantar com o poder de uma ideologia ambiciosa e enraizada, e um culto da morte. E se é na opressão que estamos interessados, então deveríamos pensar na opressão, para não falar da expectativa de vida (e, Deus que vida), do irmão mais novo. Haverá muitas paradas e começos a fazer. É doloroso parar de acreditar na pureza e na sanidade mental, do injustiçado social. É doloroso começar a acreditar num culto da morte, e num inimigo que deseja que esta guerra dure para sempre.

O AUTOR

Nascido em Oxford em 1949, filho do consagrado escritor inglês Kingsley Amis (1922-1995), Martin Amis é um dos grandes nomes da ficção britânica contemporânea. O estilo mordaz, contundente, também marca seus “textos de combate” - caso do ensaio histórico sobre Josef Stalin (Koba The Dread, 2002). Nele, Amis examina a indulgência de três gerações de intelectuais ocidentais (entre eles o pai) com o totalitarismo soviético.
Os romances A Informação (1995) e Trem Noturno (1998) e a coletânea de contos Água Pesada (2001) são algumas de suas obras lançadas no Brasil.

* Martin Amis escreveu este texto para ‘The Observer’.

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