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Antes de tudo, o nada.
de FLV | Domingo, 17 de Setembro de 2006
O que é Deus para a ciência?
O que teria, então, dado origem ao movimento de expansão primordial do big bang? O que veio antes disso?
Hoje em dia, devido aos avanços principalmente da física quântica, temos uma situação incomum. Todos temos uma idéia elementar do que vem a ser o vazio. É, digamos, uma caixa de onde se tirou tudo o que havia dentro e agora não há mais nada. Este é o vazio clássico do mundo cotidiano. Só que o mundo quântico mudou totalmente a maneira de perceber isso. Nele, esse vazio é cheio de potencialidades que podem se realizar. Podemos, assim, substituir o nada por esse vazio quântico, que é instável - os físicos descobriram que ele não pode permanecer como vazio ao longo do tempo. Ele sempre se transforma em alguma coisa real. Passa a existir. Você veja que os cientistas estão lidando com áreas tradicionalmente ocupadas pela metafísica e pela religião. Mas é assim que funciona. Nos séculos 16 e 17, os físicos tiraram dos metafísicos uma série de questões que eles julgavam típicas de sua área de atuação. A religião, até onde posso perceber, escondeu-se atrás do big bang e está ligada à fantástica publicidade que esse fenômeno sofreu a partir dos anos 60. Hoje, através dessa noção quântica do vazio, a grande lição que estamos tirando é a seguinte: não havia escolha - não pode não haver alguma coisa. Se você identifica Deus como aquele que cria, o fato é que não há lugar para Ele nessa nova cosmologia.
O mundo árabe foi muito importante para o desenvolvimento, por exemplo, da matemática. Em que medida o fundamentalismo religioso naquela parte do mundo prejudica a evolução científica?
Quando a religião toma a estrutura de poder, isso é uma catástrofe não só para ciência, mas para a sociedade como um todo. Essa sociedade deixa de poder explorar seus caminhos de liberdade e fica amarrada a certos preconceitos. O mundo muçulmano tinha um pensamento original maravilhoso, que infelizmente vem sendo impedido. Este, no entanto, é um exemplo extremo. Do outro lado, os Estados Unidos de Bush também criam barreiras semelhantes, como o movimento criacionista.
Fred Melo Paiva
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