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Oquê você acha ? interessante não ??
de FLV | Sábado, 28 de Janeiro de 2006
www.edge.org (vale a visita…)
Há nove anos, Brockman pôs uma pergunta na internet para que suas mentes brilhantes e outras mais a respondessem, com quantas palavras quisessem. Assim nasceu The World Question Center, um superblog de idéias hospedado pela Edge, cuja primeira questão versava sobre o que cada um dos consultados andava perguntando a si mesmo ultimamente. As respostas à pergunta do ano seguinte - ‘Qual a invenção mais importante dos últimos dois mil anos?’ - repercutiram até fora da grande infovia. E, desde então, só fez crescer o número de curiosos pela grande questão do ano, lançada por Brockman.
A do ano passado - ‘O que você acredita ser verdade mas não tem como provar?’ - atraiu um who’s who de 120 cérebros internacionais, inclusive o premiado escritor britânico Ian McEwan, que escreveu o prefácio para a edição em livro daquele debate: What We Believe But Cannot Prove, que acaba de sair na Inglaterra, pela Free Press, e em fevereiro chegará às livrarias americanas, com o selo da HarperCollins.
A crença que McEwan não tem como provar é a inexistência da vida eterna. A morte, para ele, é o fim de tudo. Como a história da ciência é cheia de descobertas que, na época em que surgiram, foram consideradas socialmente, moralmente e emocionalmente perigosas - vide as revoluções de Copérnico e Darwin -, Brockman resolveu explorar esse veio.
Inspirado pelo título do estimulante livro do filósofo Daniel C. Dennett, A Idéia Perigosa de Darwin, (traduzido pela Rocco em 1998), escolheu como tema deste ano a questão da idéia perigosa. Que idéias seriam hoje consideradas perigosas? Não porque sejam falsas mas por terem alguma ou muita possibilidade de ser verdadeiras. ‘What’s your dangerous idea?’, perguntou, recebendo 119 respostas, boa parte influenciada pelos recentes embates entre o evolucionismo e o novo avatar do criacionismo, o ‘designer superior’.
As idéias mais perigosas, na opinião do geólogo, geofísico e curador do Museu de História Natural de Utah, Scott Sampson, são aquelas que ameaçam o ego coletivo da humanidade e nos derruba do ‘pedestal da centralidade’. A revolução coperniana deslocou os humanos do centro do universo. Depois, veio Darwin, que remeteu nossa origem ao macaco.
Não deveríamos nos amofinar com essas verdades científicas, recomenda Sampson, para quem ‘o propósito da vida é dispersar energia’ e mais nada.
A psicóloga Susan Blackmore mirou firme nos crentes: ‘Minha idéia perigosa é de que nada tem sentido. Tudo à nossa volta - micróbios, elefantes, arranha-céus, computadores e nós mesmos - surgiu de um mesmo processo sem propósito e evoluiu por seleção natural.’
O escritor de assuntos científicos John Horgan considera a hipótese de não termos alma a mais perigosa das idéias.
Inspirado pelo título do estimulante livro do filósofo Daniel C. Dennett, A Idéia Perigosa de Darwin, (traduzido pela Rocco em 1998), escolheu como tema deste ano a questão da idéia perigosa. Que idéias seriam hoje consideradas perigosas? Não porque sejam falsas mas por terem alguma ou muita possibilidade de ser verdadeiras. ‘What’s your dangerous idea?’, perguntou, recebendo 119 respostas, boa parte influenciada pelos recentes embates entre o evolucionismo e o novo avatar do criacionismo, o ‘designer superior’.
As idéias mais perigosas, na opinião do geólogo, geofísico e curador do Museu de História Natural de Utah, Scott Sampson, são aquelas que ameaçam o ego coletivo da humanidade e nos derruba do ‘pedestal da centralidade’. A revolução coperniana deslocou os humanos do centro do universo. Depois, veio Darwin, que remeteu nossa origem ao macaco.
Não deveríamos nos amofinar com essas verdades científicas, recomenda Sampson, para quem ‘o propósito da vida é dispersar energia’ e mais nada.
A psicóloga Susan Blackmore mirou firme nos crentes: ‘Minha idéia perigosa é de que nada tem sentido. Tudo à nossa volta - micróbios, elefantes, arranha-céus, computadores e nós mesmos - surgiu de um mesmo processo sem propósito e evoluiu por seleção natural.’
O escritor de assuntos científicos John Horgan considera a hipótese de não termos alma a mais perigosa das idéias.
Com o que concorda o psicólogo Paul Bloom, da Universidade de Yale, pois isso, a seu ver, destruiria a crença da vida após a morte e a dualidade cartesiana, igualando animais e seres humanos - razão bastante para sermos mais carinhosos com os bichos e não comê-los, acrescenta, reforçando um raciocínio do filósofo Peter Singer.
O fórum deste ano é uma blitzkrieg nos criacionistas. O químico Robert Shapiro vai além do choque darwinista: pior do que descobrir como evoluímos, será descobrir como surgimos. Seu palpite é que brotamos, não do dedo de Deus, mas, prosaicamente, de pequenos sacos, cheios de água suja e detritos, os precursores das células, segundo o famoso físico da Universidade de Princeton, Freeman Dyson. ‘Não passamos de bactérias metidas a besta’, acredita a bióloga Lynn Margulis.
Ou seja, o resultado de interações sociais de bactérias sensíveis. Outro escritor de temas científicos, Clifford Pickover, radicaliza: ‘E se formos todos virtuais?’ O receio de que a ciência se transforme em religião, com seus próprios dogmas, não é uma preocupação generalizada. Maior é a inquietação com o fato de que no país mais poderoso e avançado do ponto de vista científico ‘a ciência e a razão estejam perdendo batalhas para a superstição e a ignorância’, queixa do gênio em informática Jordan Pollack, que propõe a criação de uma religião verde, cujo 11º mandamento seria ‘Proteja a Terra’.
Também preocupado com o avanço da religiosidade nos EUA, o antropólogo Scott Atran acusa a ciência de encorajar o fervor religioso, na medida em que trata o ser humano como elemento incidental no universo e não tem condições de lidar adequadamente com angústias existenciais, decepções, perdas, catástrofes, nem com a solidão, a saudade, a justiça e a morte.
A ciência não tem respostas para uma porção de outras coisas, inclusive de sua alçada. ‘Talvez jamais saibamos como o universo se originou’, diz o físico brasileiro Marcelo Gleiser. Mas ele acha ‘legal’ a ciência não saber tudo. ‘Isso não a enfraquece, só a torna mais humana.’
Os limites da ciência, a sensação de que ela esteja fugindo ao controle do homem e fornecendo munição a variadas formas de empulhação, preconceitos, censura, autoritarismo e até alimentando sonhos impossíveis ou danosos (a indústria da longevidade, por exemplo, com seu incalculável custo econômico, social e humano), os perigos da clonagem, são receios recorrentes - abordados com sisudez e bom humor. Ao demonstrar que, afinal de contas, não somos iguais, a genética pode dar respaldo a teorias racistas. Ao comprovar que a violência na mídia estimula a violência na vida real, as ciências neurobiológicas e comportamentais podem incentivar a ação da censura, ressalta o neurocientista Marco Iacoboni. O neurobiólogo Leo Chalupa recomenda: chega de Prozac e exercícios especiais para aprimorar a performance cerebral e acabar com o estresse. O melhor remédio para isso tudo são 24 horas de repouso absoluto. Um psicólogo da Universidade de Harvard, Daniel Gilbert, introduziu uma espécie de meta-resposta: ‘Achar que idéias podem ser perigosas é uma idéia perigosa.’ O físico W. Daniel Hills seguiu o mesmo tom, apontando como perigosa a idéia de compartilharmos nossas idéias mais perigosas. Randolph M. Nesse, psiquiatra e professor da Universidade de Michigan, concorda com Hills e admite esforçar-se um bocado para que suas idéias não se tornem perigosas. Uma delas: a desconfiança de que certos malestares fazem bem aos genes. Ele receia que jornalistas sensacionalistas concluam, incorretamente, e espalhem aos quatro ventos que a depressão, por fazer bem aos genes, não deve ser tratada. ‘O fato de a febre ser útil não significa que não deva ser combatida’, arremata.
Outras idéias perigosas:
1) Vacinações preventivas contra grandes doenças (’a indústria farmacêutica entraria em colapso e muitos médicos iriam à falência’, exulta o biólogo Paul W. Ewald);
2) A derrota de nosso cérebro para os computadores e robôs do futuro (’Ainda só conseguimos ler dez palavras por segundo’, lamenta o neuropsicólogo Stanislas Deheane, que propõe uma otimização do cérebro humano);
3) Alterações na personalidade por meio de medicamentos de uso indefinido e efeitos colaterais ainda desconhecidos (receio do psiquiatra e neurobiólogo Samuel Barondes, autor do livro Better Than Prozac, e da antropóloga Helen Fisher, para quem o aumento de serotonina no organismo pode prejudicar a relação amorosa, afetando a fertilidade e o futuro da genética );
4) A possibilidade de se escolher previamente não apenas o sexo dos filhos mas também a cor dos olhos, a estatura e o Q.I. (uma variante de eugenia temida pela psicóloga Diane F. Halpern); 5) O livre mercado é o supremo árbitro das decisões políticas (a mão invisível do mercado nos guiando para o melhor dos futuros é uma balela, alerta o psicólogo Mihalyi Csikszentmihaly);
6) A globalização vai acabar com a democracia (as corporações multinacionais são autoritárias e as nações democráticas têm crescimento populacional bem inferior ao de países atrasados, inclusive no que diz respeito a instituições democráticas);
7) O relativismo radical vai afetar a inteligência da humanidade e todos os seus valores artísticos, filosóficos e psicológicos (paranóia do diretor de teatro Richard Foreman e do psicólogo Martin E.P. Seligman);
8) A psicologia evolucional, levada ao extremo, pode atribuir nossos comportamentos a uma programação genética incoercível, indultando crimes de toda espécie (até maridos prevaricadores vão se apegar ao determinismo genético para justificar sua infidelidade conjugal, salienta o biólogo Jerry Coyne);
9) O ser humano tem conserto (daí porque deveríamos tratar delinqüentes e criminosos como fazemos com carros enguiçados, propõe o biólogo Richard Dawkins, e não simplesmente executá-los);
10) Nossos cérebros não darão conta de tantos memes (ou seja, o homem se perderá no labirinto de informações, estima o filósofo Daniel C. Dennett, usando um termo, meme, criado por Dawkins em 1976 para designar uma unidade de evolução cultural auto-propagadora, análoga ao gene e ao vírus);
11) A guerra contra o aquecimento global está perdida (’mas em compensação a Sibéria vai se transformar num dos celeiros do mundo’, ameniza o físico australiano Paul Davies).
Nossa solidão no universo é uma das idéias perigosas mais ventiladas no fórum da Edge. ‘Estamos inteiramente sós’, diz o matemático Keith Devlin, cuja certeza pode ter sido de algum modo abalada com a revelação, na última quarta-feira, de que um planeta similar à Terra, a cerca de 28 mil anos-luz de distância do sistema solar e perto do centro da Via Láctea, foi descoberto por astrofísicos de uma universidade escocesa.
Nossa solidão no universo é uma das idéias perigosas mais ventiladas no fórum da Edge. ‘Estamos inteiramente sós’, diz o matemático Keith Devlin, cuja certeza pode ter sido de algum modo abalada com a revelação, na última quarta-feira, de que um planeta similar à Terra, a cerca de 28 mil anos-luz de distância do sistema solar e perto do centro da Via Láctea, foi descoberto por astrofísicos de uma universidade escocesa.
O bamba em inteligência artificial do Massachusetts Institute of Technology, Rodney Brooks, acha que o ser humano deverá pirar caso se comprove em definitivo que não estamos apenas sozinhos no sistema solar, mas em todo o universo.
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E se não existir um universo apenas, mas outros, um multiverso? - pergunta o físico e matemático Brian Greene. ‘Se revelada a existência de um multiverso, haveria uma revolução coperniana em escala cósmica’, acrescenta Greene, sem ousar especular sobre suas conseqüências.
Eis uma boa pergunta para o fórum de 2007: ‘E se a outra Terra for pior do que esta?’
Sérgio Augusto
Especial para o ESTADO
2 comentários para “ Oquê você acha ? interessante não ?? ”
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Terça, 31 de Janeiro de 2006 at 11:55:00 AM
adoreiiiiii..
Terça, 31 de Janeiro de 2006 at 8:22:00 PM
“Na casa de meu pai há muitas moradas!”, acho que não estamos sózinhos, talvez, quem sabe?, nesta dimensão…