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Xexé
de FLV | Sexta, 13 de Janeiro de 2006
lenda baiana analisada à luz
do tropicalismo histórico ou
xexé da bahia
Hugo Leal
conta-se na boa terra
que uma menina fagueira
- filha de uma estrangeira
que há muito deixara o lugar -
largou um dia sua serra
e veio pra grande cidade
pois lhe disseram e é verdade
não haver na humanidade
melhor local pra morar…
e nossa amiga xexé
- pois assim se chama a mulher
de que se fala na lenda –
sendo uma moça de prenda
atacou à brasileira:
se virou de arrumadeira
faxineira, cozinheira
e acabou macumbeira
pois pra marcar passo com o pé
no terreiro de candomblé
nunca houve uma mulher
que se igualasse a xexé.
xexé foi nesta sequência…
de dia boa empregada
de noite por oxum montada
até que outra noite,
estrelada
complicou esta inferência:
no meio da estrepolia
depois de ser cavalgada
xexé conheceu matias
fanfarrão de nomeada.
xexé gostou do seu jeito…
e foi só um trabalho bem
feito
- que a própria oxum fez de graça -
pro matias trocar a viola
o baralho e até a arruaça
pelo jogo sem trapaça
do namoro no escuro da praça
ou seja: se amarrou.
e o mundo correu dourado
até que um dia – coitado! –
o rapaz ficou cansado
pegou sua trouxa e… voou!
xexé sofreu um bocado…
teve um ano atribulado
e o aluguel atrasado
com outras despesas duras
levou xexé, cabisbaixa,
- xexé, de idéias tão puras -
pra rua das amarguras
e pro copo de cachaça…
amando com tanto macho
vivendo em tal esculacho
bebendo como bebeu,
xexé entrou no bagaço:
contraiu tuberculose
e quando veio a cirrose
não resistiu e morreu…
oxum, que a ela queria
ao perder a montaria
desatou em choradeira.
e a cobrindo com sua manta
transformou xexé em planta
que se chama, hoje em dia
em toda a nação brasileira
pelo nome, sem ironia
que se fala… trepadeira.
assim se diz na bahia…
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