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Crônica Homenagem

de FLV | Sexta, 6 de Janeiro de 2006

Morre a Última Grande Poeta do Brasil: Elisa Barreto

De enorme grandeza lírica e do mesmo patamar de poetas como Cecília Meireles ou Hilda Hist, a Poeta Elisa Barreto foi um dos maiores e melhores nomes do chamado “fazer poético” de qualidade que fechou o século XX no Brasil, e, no limiar do Século XXX, exatamente no dia 25 de Outubro de 2005 veio a falecer em Sampa.

A paulista Elisa Barreto que nasceu em 28.04.1919 teve durante seus 86 anos lítero-culturalmente muito bem vividos e altamente produtivos, ao mesmo tempo em que paradoxalmente também adquiriu ao longo da vida sérios problemas de saúde, por outro lado, portanto, com uma fragilidade física que a tornava passível de variadas doenças, até o mal de Parkinson que ao final a levou definitivamente do meio de nós.

Companheira do Poeta e pioneiro Ecologista Paulino Rolim de Moura, Paladino da Cultura Paulistana (teve trabalhos publicados na Folha, O Estado de São Paulo, O Globo), Elisa Barreta vinha de longa data brilhando com seus poemas, seus sonetos, seus livros de quilate, sua obra merecedora de elogios até internacionais, e mesmo de autoridades e personalidades consagradas porque fazia a chamada pura poesia, com qualidade, sensibilidade e criação em estilo próprio e espetacularmente generosos com os próprios preceitos éticos e humanitários.

Elisa Barreto foi, por uma plêiade de amigos indicada em 2003 e 2004 ao Prêmio Nobel da Paz, tendo seu livro “Turbilhão de Emoções” (1963) citado como famous book no The Times of Brasil, além de ter recebido elogios de nobres representantes da Academia Paulista de Letras como Ives Gandra Martins, tendo seus livros sido divulgados em Universidades do exterior, como de Austin, Texas, EUA, da qual recebeu elogios e lá tem seu acervo preservado.

Comparada com Elisabeth Barret, Emily Dickinson e Gabriela Mistral, foi elogiada por críticos literários de renome como Caio Porfírio Carneiro (UBE-União Brasileira de Escritores), Alberto Renart, Henrique L. Alves, Silveira Bueno, Hernani Donato, Paulo Bonfim e outros. É lenda no meio literário há décadas que, na fase inicial de Carlos Drumond de Andrade, teria concorrido com o moderno poeta mineiro e por votação popular bancado por órgão de imprensa o venceu com poema fora de série.

Teve oito livros de poesias publicados, e que agora precisam ser bancados por uma editora de renome do eixo Rio-SP e reeditados, claro, pois estão todos esgotados. Sobre ela opinou o jornalista, poeta e professor universitário Silveira Bueno: “O seu domínio do verso é perfeito, como perfeita é a fluência espontânea das suas composições. A insigne Poeta não só domina a mecânica do verso, dando-nos a impressão de uma corrente a fluir espontaneamente, mas domina também a língua policiada pela gramática. Linda é a sua poesia(…)”

Sobre Elisa Barreto ainda escreveu Henrique L. Alves: “Tecedora de palavras, utiliza a fiandeira com categoria para tecer poemas de um universo que é o seu cenário(…) Impregnada de algo misterioso ou mágico, a que Cruz e Souza so8ube definir como a “grave beleza de esplendor secreto”. Nessa linha de beleza está a sua maior conquista nos domínios de uma forma de escrever e de ser”

Assim foi Elisa Barreto nos seus 86 anos de bravura e resistência, vivendo da poesia e para a poesia, como a se nutrir dela para sobreviver, respirar fazer-se luz frente aos percalços da vida, oxigenando a sua alma-avelã. Num soneto ela encerra os últimos versos: “Não há nada de novo sobre a terra/Fazemos o que sempre já foi feito/Dando-lhe apenas nova dimensão/A idéia volta à origem e se encerra/Mutilada e sem asas no meu peito/Onde há um relógio de repetição”

Lembrando Érico Veríssimo que pedia que cada um, na escrita, acendesse um fósforo, como se a continuarmos, sempre, dando testemunho de estarmos na vigília, feito uma iluminura de nosso tempo, podemos afirmar que Elisa Barreto acendeu uma tocha com a sua fibra criativa e visionária. Ela viveu e brilhou pelo poro poesia feito bandeira de alma-aluz.

Elisa Barreto morreu. Morre a poesia com ela um pouco também. E nosotros tecendo o infinito somos de alguma forma também órfãos de Elisa Barreto, de sua aura, de seu halo, de sua grandeza poética.

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Silas Corrêa Leite – Autor de Porta-Lapsos-Poemas, Editora All-Print, 2005, Série Literatura Brasileira Contemporânea: Site www.itarare.com.br/silas.htm - E-mail: poesilas@terra.com.br
Autor do e-book de sucesso O RINOCERONTE DE CLARICE no site www.hotbook.com.br/int01scl.htm

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